Por Roberta Caparroz

Foto guarita entrada Jd. Leonor (Cynara Sena)
O Jardim Leonor mudou. Quem caminha pelas ruas do bairro hoje pode não imaginar, mas a realidade da segurança pública na região já foi motivo de grande preocupação para os moradores. Em uma entrevista exclusiva, o chefe de segurança do bairro, Eduardo Alves, revelou os bastidores dessa transformação, os projetos em andamento e quais são os desafios que a comunidade ainda enfrenta no dia a dia.
De 10 ocorrências por semana ao índice zero. A tranquilidade atual do Jardim Leonor é fruto de um trabalho de longo prazo. À frente da direção de segurança há uma década, o chefe do setor relembra o cenário crítico de quando assumiu o cargo, junto com a diretoria da época:
“O Jardim Leonor tinha índices alarmantes de roubos e furtos a residências. Isso afugentava as pessoas de comprarem imóveis aqui e até os próprios proprietários se desfaziam de suas casas para morar em outros bairros mais seguros”, relata.
O ponto de virada veio com investimentos pesados em estruturação da equipe, novos equipamentos e ações estratégicas. O bairro reduziu uma média que passava de 5 a 10 ocorrências semanais para praticamente zero nos dias de hoje. Comparado ao restante de Itatiba, o índice de criminalidade do Leonor é considerado nulo, sem registros de roubos ou furtos há muito tempo.
Desafios atuais: Perturbação de sossego e velocidade
Com a criminalidade sob controle, as atenções da segurança se voltam para problemas de convivência e trânsito. Por ser uma área de muitas chácaras, a perturbação de sossego — especialmente nos finais de semana e feriados — lidera as reclamações. Segundo o pessoal da segurança, a maioria dos casos envolve chácaras de aluguel por temporada para pessoas de fora do bairro, que extrapolam os limites de som alto e horários.
O trânsito e o comportamento nas vias também estão no radar, algumas ruas em especial chamam a atenção da segurança por alta velocidade dos veículos que passam. Além disso, problemas estruturais como ruas totalmente sem iluminação pública e terrenos de não associados sem manutenção (o que atrai ratos, cobras e outras pragas) são apontados como gargalos que afetam o bem-estar dos moradores.
Para manter o bairro seguro, a associação conta com uma rede de comunicação ativa. Os vigilantes trabalham com celulares conectados 24 horas por dia, além do grupo de emergência do WhatsApp do bairro e do contato direto da chefia. O uso de tecnologias de monitoramento tem sido um grande aliado, e o futuro reserva novidades: está em andamento um projeto para monitorar todas as entradas e saídas do Jardim Leonor. O plano posterior inclui a instalação de câmeras em pontos-chave de movimentação, como a pracinha do lago.
Apesar do aparato, o chefe de segurança faz um alerta importante sobre o policiamento comunitário e a prevenção: “Os moradores precisam ficar mais atentos quanto a portões que esquecem abertos. Temos muitas incidências disso. Nossos rondas verificam e avisam no grupo do bairro, mas a atenção do morador é fundamental”. Ele reforça também que, para casos graves, as forças policiais competentes (Polícia Militar 190, Guarda Municipal 153 ou Bombeiros 193) devem ser acionadas imediatamente.
Como o bairro pode evoluir ainda mais?
A parceria com o poder público existe na medida do possível, por meio de solicitações formais e ofícios protocolados — como ocorre na organização de eventos no bairro. No entanto, para que a segurança privada do Jardim Leonor dê o próximo passo, o engajamento dos moradores é a chave.
O grande objetivo para o futuro é o aumento do número de moradores associados. Com uma receita maior, a associação poderá contratar mais rondas por turno, ampliando a área de cobertura das viaturas e garantindo que o Jardim Leonor continue sendo um dos bairros mais seguros e desejados de Itatiba.