“Hoje, considero o Leonor um dos melhores bairros de Itatiba”

Morador há 32 anos, comerciante conta como a feirinha do lago, nascida na pandemia, transformou a vida do bairro

Hoje, entrevistamos Clemente Quintana Martinez, comerciante de 62 anos e uma das figuras mais conhecidas do bairro Leonor, em Itatiba. Morador há 32 anos, Clemente viu o bairro sair das ruas desertas e sem infraestrutura para se tornar, nas palavras dele, um dos melhores lugares para se viver na cidade. De quebra, é um dos fundadores da famosa feirinha do lago, que nasceu na pandemia e virou ponto de encontro dos vizinhos. A conversa aconteceu ali mesmo, à beira do lago — e você confere na íntegra a seguir.

Clemente Q. Martinez

Seu Clemente, para começar: quem é o senhor e o que trouxe o senhor pro Leonor?

Meu nome é Clemente Quintana Martinez, sou comerciante, tenho 62 anos e moro no bairro há 32. Vim para cá em busca de um lugar mais tranquilo — um bairro bonito e aconchegante, onde eu pudesse criar minha família com mais segurança e sossego.

E hoje, o que o senhor mais gosta de fazer por aqui?

O que mais gosto de fazer aqui no Leonor é, antes de tudo, desfrutar da tranquilidade do bairro: ficar em casa sossegado e fazer caminhadas. Às vezes, a gente sai para caminhar pelo lago, encontra um vizinho, bater um papo. É muito bom.

Se tivesse que escolher um lugar especial no bairro, seria o lago mesmo?

O ponto que considero mais especial é o lago. É ali que as pessoas se encontram e conhecem os vizinhos — e, diga-se de passagem, é um lago muito bonito.

O senhor chegou aqui no início dos anos 90. Como era o bairro naquela época? Mudou muito?

Quando cheguei, as ruas eram desertas e havia poucas casas. Não tinha iluminação pública, não tinha água, não tinha esgoto, não tinha segurança — chegamos a ter alguns casos de roubos, mas nada fora do comum. Depois que surgiu a associação de moradores, conseguimos, por meio dela, a água e o esgoto; as ruas foram iluminadas e passamos a contar com segurança e com os rapazes que fazem a limpeza. Hoje, considero o Leonor um dos melhores bairros de Itatiba.

Agora me conta uma coisa que todo mundo quer saber: como nasceu a feirinha do lago?

A feira começou da seguinte forma: nós, que trabalhamos com fogaça e pastel, já fazíamos feiras em Jundiaí, em condomínios fechados. Na pandemia, aqui no bairro, não tínhamos nada, e os moradores estavam todos em casa, sem poder sair. Então eu, junto com o Alexandre, do hortifrúti e do queijo, resolvemos nos reunir para atender os moradores no lago. As pessoas começaram a ir — e vão até hoje. Foi assim que a feirinha começou, em 2021, apenas com a “Lu, o Alexandre e eu”.

E o hortifrúti da feira? Vi que tem fruta fresca toda semana. De onde vem isso?

O rapaz do hortifrúti não é do bairro, é de Jundiaí, e vem para cá trazer um produto de qualidade. Trabalhar com hortifrúti é complicado: se a pessoa não tiver feira todos os dias, não consegue se manter, porque a perda é muito grande. O que ele não vende aqui, precisa vender na feira de domingo. O que sobra do domingo, vende na segunda, para não ter prejuízo e poder continuar trazendo produtos de qualidade aos nossos moradores. Por isso, pedimos sempre o prestígio dos moradores: são produtos de qualidade, vendidos a preço acessível. Nos grandes mercados, as frutas ficam em câmaras para durar mais, e, muitas vezes, apodrecem antes de amadurecer. Eu mesmo não compro mais fruta no mercado por causa disso. Já a fruta fresca que o rapaz traz, dura dez, quinze dias, sem esse problema. São cuidados que temos para oferecer sempre o melhor.

A feirinha mudou a relação do senhor com os vizinhos?

Moramos aqui há 32 anos e, mesmo assim, não conhecíamos muitos dos moradores. Hoje, graças à feirinha, conhecemos praticamente todos. Criamos amizades e estamos sempre apoiando a divulgação do pessoal da associação e dos benefícios que ela traz, trabalhando para que o bairro prospere nesta união e confraternização entre vizinhos. É um ponto muito legal: as pessoas vão com as crianças, passeiam com os cachorros, batem papo e ficam por ali. De vez em quando aparece gente de fora para comer um pastel ou uma fogaça — geralmente pessoas que trabalham no bairro ou estão de passagem —, mas a maioria dos clientes da feira é daqui mesmo.

Tem alguma regra para participar da feira? Como vocês organizam tudo isso?

Temos alguns critérios: não permitimos produtos repetidos, para que ninguém venda o mesmo que o outro e haja movimento para todos. A prioridade é sempre para as pessoas do bairro, para que a feira não cresça demais e comece a atrair gente de fora, o que poderia comprometer nossa segurança e tranquilidade. Tanto é que não se vê bebida alcoólica nem música alta — temos uma série de cuidados, porque queremos manter o sossego do bairro.

Para fechar: o que o senhor diria para quem está chegando agora no Leonor?

Para quem está chegando, o que sempre digo é: este é um bairro tranquilo, seguro e muito bom de se morar, com acesso fácil tanto para a cidade quanto para Campinas e São Paulo. Que todos possam se sentir seguros aqui.

 

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