Doenças mais comuns no inverno em cães e gatos.

Prevenções e cuidados

Dra. Larissa Cardoso Martins
Médica Veterinária

CRMV-SP 46853

Com a chegada do inverno, as baixas temperaturas e a redução da umidade do ar favorecem o aparecimento e agravamento de diversas doenças em cães e gatos.

Assim como ocorre na medicina humana, fatores ambientais podem influenciar diretamente na saúde dos animais, especialmente daqueles mais jovens, idosos ou portadores de doenças crônicas.

Entre as principais enfermidades observadas nesta época do ano destacam-se: doenças respiratórias, articulares, urinárias e dermatológicas.

Doenças respiratórias (“gripe”)

Em cães, a doença respiratória mais comum durante o inverno é a Traqueobronquite Infecciosa Canina, popularmente conhecida como “gripe canina” ou “tosse dos canis”. É causada por vírus ou bactérias e é altamente contagiosa.

A gripe canina é altamente contagiosa: se espalha pelo ar, através da tosse e espirros. Também pode ser transmitida pelo contato com objetos e ambientes contaminados por cães infectados, podendo ser levado indiretamente ao cão saudável.

Os principais sintomas são: tosse seca, espirros, secreção nasal, intolerância ao exercício e, em casos mais graves, pneumonia.

Nos gatos, o chamado Complexo Respiratório Felino é frequentemente associado ao Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) e ao Calicivírus Felino (FCV). Os animais podem apresentar: espirros, conjuntivite, secreção ocular e nasal, febre e redução do apetite.

A vacinação adequada e anual, a redução do estresse, o ambiente seguro protegido contra frio e chuva, são algumas medidas fundamentais para prevenção dessas doenças.

Doenças articulares

As temperaturas mais baixas podem intensificar os sintomas de doenças osteoarticulares já existentes, principalmente em animais idosos.

A osteoartrite (OA) é doença mais comum em cães e gatos idosos, caracterizada por inflamação crônica, degeneração da cartilagem articular e dor persistente.

Durante o inverno, é comum observar maior rigidez ao levantar, dificuldade para subir escadas, redução da atividade física e alterações comportamentais relacionadas à dor, como perda de apetite e apatia.

O tratamento inclui controle de peso corporal, fisioterapia, exercícios adaptados, suplementação condroprotetora e terapias analgésicas prescritas pelo médico-veterinário, proteção contra o frio, deixando o animal sempre aquecido, já que animais idosos tem dificuldade de se manter aquecidos sozinhos.

Cistite e doenças do trato urinário

A redução da ingestão de água durante os meses mais frios pode deixar cães e gatos mais propensos ao desenvolvimento de doenças urinárias.

Nos gatos destaca-se a Cistite Idiopática Felina, uma das principais causas da Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos. O estresse ambiental e a baixa ingestão de água são fatores importantes associados ao seu desenvolvimento.

Os sintomas incluem aumento da frequência urinária, vocalização ao urinar, hematúria (sangue na urina), micção fora da caixa de areia e, em machos, risco de obstrução uretral, considerada uma emergência médica.

Nos cães, infecções bacterianas do trato urinário também podem se tornar mais frequentes em animais predispostos.

O estímulo ao consumo de água, rações úmidas, enriquecimento ambiental e acompanhamento veterinário são essenciais para prevenção e diagnóstico precoce.

Infecções fúngicas de pele

Embora muitas pessoas associem os fungos apenas ao calor e à umidade, algumas infecções dermatológicas podem ser observadas com maior frequência no inverno devido à:

  • redução da exposição solar,
  • uso constante de roupas e
  • aumento do tempo em ambientes fechados.

Atenção especial às roupas: ao deixar muito tempo sem troca, pode prejudicar a pele causando feridas e ocorrer nós nos pelos. 

A Dermatofitose, causada principalmente por fungos, é uma doença que pode ser transmitida aos seres humanos. Os sinais mais comuns incluem áreas circulares de alopecia (ausência de pelos), descamação, crostas e coceira.

O diagnóstico precoce, através de exames dermatológicos específicos e o tratamento adequado são fundamentais para evitar a disseminação da doença entre animais e pessoas.

O inverno exige atenção especial dos responsáveis, para garantir a saúde e o bem-estar dos animais. Medidas simples, como manter a vacinação em dia, estimular a ingestão de água, proporcionar ambientes aquecidos e realizar avaliações veterinárias periódicas, podem reduzir significativamente o risco de doenças sazonais.

A observação precoce de qualquer alteração comportamental ou sintomas é essencial para que o diagnóstico e o tratamento sejam iniciados rapidamente, proporcionando melhor qualidade de vida aos pacientes.

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